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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Impressões: Jogos de Assoprar na Quarta Alternativa, no Teatro Municipal

No dia seguinte à Semana de Artes de São Carlos, a Cia da Insônia se apresentou no Teatro Municipal, em mais uma edição do projeto Quarta Alternativa. A programação trazia também o brilhante grupo Los Nachos, da Cidade Aracy, composto por adolescentes participantes de um projeto de incentivo à leitura.

Paloma, que foi minha aluna no ProJovem

Movimentação jovem no palco

Os meninos em cena, vistos por nós das coxias
Depois das duas apresentações, abriu-se um debate sobre os processos de criação dos dois grupos, e o público dividiu conosco suas sensações, foi muito bacana. O público era formado também por duas turmas do EJA, ensino de jovens e adultos, da escola Natalino Deriggi.

O público
Cia da Insônia e Los Nachos em debate
Anna e Nádia, falando da idéia por trás da peça
Fotos: Bruno Garbuio e Anna Kuhl.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

1° Tour Palco Fora do Eixo em São Carlos



Muitas vezes é necessária a presença do outro para que a gente reconheça nossas potencialidades locais. A visita de Cláudia Schulz, do Macondo Coletivo, da longinqua terra de Santa Maria - RS, representando o Palco Fora Do Eixo, trouxe novas inquietações para somarmos à nossa maneira de trabalhar, que está em constante construção. O ponto fora do eixo que recebeu a Cláudia foi o Massa Coletiva.


Realizada nos dia 28 e 29 de julho de 2010, a Tour PFE em São Carlos teve duas atividades. Na quarta, dia 28, o Teatro Municipal abriu suas portas, como toda quarta-feira pelo projeto Quartas Alternativas, para uma conversa com os grupos sobre o PFE. Estiveram presentes nesse encontro representantes de quase todos os grupos de teatro da cidade: Acaso, Atuando em Psi, Cia da Insônia, Preto no Branco, Teatro Descalço, além da presença do Janela Aberta e de artistas independentes. Senti a falta do pessoal do circo e do Núcleo Arames D'arte.

No dia seguinte, quinta, a maioria das pessoas presentes no teatro se reuniu na sede do Grupo Preto no Branco, ás nove da manhã, para a construção do Dito, nosso primeiro refletor confeccionado com latas de tinta. E também um manual passo a passo, com desenhos, de como fazer. À tarde, voltamos ao Teatro Municipal para uma importantíssima aula de iluminação (de verdade, na prática, vendo de perto os equipamentos) ministrada pela Cláudia e pelo Ernesto, técnico do Teatro Municipal, que olha só: sempre esteve lá, ao nosso dispor ! Se tivéssemos tido essa idéia antes, teríamos passado menos perrengues nas montagens dos grupos!

Precisou vir de tão longe a Cláudia para começarmos a estabelecer um diálogo com o Massa Coletiva, quase nosso vizinho de tão perto. No primeiro encontro, a conversa começou com Carol Tokuyo, do Massa Coletiva, nos explicando o porquê da escolha por um trabalho colaborativo, e como ele funciona. É quase uma ironia que alguém de fora do teatro venha nos explicar isso, uma característica inerente ao processo teatral, ainda mais para nós, que ousamos nos dizer “teatro de grupo”. Mas sim: foi esclarecedor !


A palavra principal do discurso colaborativo é somar. Fazer parte de uma rede nacional de coletivos teatrais, integrar um cardápio saboroso onde os mais diversos modos de produção e várias linguagens estão representadas. Potencializar as ações que começam pequenas. Aprofundar a pesquisa e a crítica, não se contentar em ouvir do seu colega que seu novo trabalho é “legal” ou “não gostei”. Poder criar raízes, sem ter que se jogar no fluxo de passagem avassalador que é tão forte em cidades universitárias como a nossa.

A receita é simples: fermentar seu próprio grupo, fermentar os grupos locais, fermentar-se em rede nacional (roubando uma expressão inventada pela minha amiga e colega de palco Nádia Stevanato). Fermentar seu próprio grupo já é difícil quando não se tem suporte, quando o fomento ainda está engatinhando, quando o mercado não existe. É nossa maior dificuldade e maior reclamação. Mas uma coisa não acontece sem a outra: sem se conhecer, sem a troca entre as pessoas interessadas no teatro, ficando fechados num pequeno grupo, aí é que não se cresce, nem um pouquinho.



São Carlos tem um movimento ainda muito rudimentar de teatro. Talvez pelo fato de não termos em nenhuma das duas universidades um curso de formação em Artes Cênicas, apesar de a cidade ter um pensamento de política cultural em desenvolvimento, as artes cênicas são representadas em nível semi-amador, semi-profissional, com bons trabalhos por parte dos atores, mas muito pouco pensamento voltado para gestão, manutenção, diálogo com a cidade, pesquisa, ao teatro como um todo. Resumindo, enquanto se pensar dessa maneira, os grupos serão efêmeros, os trabalhos superficiais e aqueles que se destacam vão acabar indo embora mesmo para estudar ou trabalhar em outros lugares, sendo tragados pelo famigerado “eixo”.

Para os grupos, fica a tarefa de articular uma nova ação do Palco Fora do Eixo na cidade, ainda mais estando tão perto de outros coletivos como Enxame (Bauru) e Colméia (Araraquara).

Não pode piscar mesmo, galera !

Fotos: o grupo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Aula aberta no Municipal: o que rolou

Segue um resuminho de como foi a aula aberta com os grupos no Teatro Municipal:

1. Grupo Acaso - Oficineiros: Guilherme e Fillipe
Exercício de relaxamanto, para descondicionar o corpo e deixar o cotidiano de fora. No escuro, deitados, os participantes se entregaram a várias sensações de respiração, à imaginação de ondas do mar, e foram acordando os corpos aos poucos, imaginando pontos de energia, explorando os planos. Uma atividade que preparou/limpou os corpos para os próximos passos.

2.Preto no Branco - Oficineiro: Fernando Cruz
Exercícios com preceitos da comédia dell'arte. Andar pelo espaço, investigar o ritmo, abrir o olhar. Congelar seu caminho em estátua e depois se movimentar na forma grotesca como parou. Noção de Triangulação. Depois, triangular usando o corpo grotesco.

3. Cia da Insônia - Oficineiro: Maurício Zatoni
Devido aos exercícios anteriores, os participantes estavam concentrados e prontos para um exercício de criação, e a Cia propôs uma improvisação de uma tentativa inútil, que fosse uma vivência, e que se tentasse não representar, e sim apenas responder ao estímulo de criação. Depois as cenas individuais foram agrupadas em cenas com 4 participantes, que deveriam fazer um jogo em que um dava ao outro o comando de estátua, usando para isso algum destaque na movimentação.

4. GTPsi - Palestrantes: Foka.
o Atuando em Psi fez uma breve apresentação sobre o modo como trabalham e o que motivou a criação do grupo.
Falaram que fazem um trabalho de divulgação científica, e que querem combater o analfabetismo científico.

Depois dos quatro grupos terem seu momento de trabalho, se abriu uma roda de conversa sobre as atividades. Destaco aqui a fala da Nádia, "fermentar internamente o próprio grupo para fermentar os outros grupos", praticamente um resuminho do que aconteceu nesta quarta, com a troca das experiências. Agora cada grupo pode "fermentar" mais um pouco entre si, para podermos trocar novamente mais tarde. Ainda assim, faltou um pouco de troca entre os próprios grupos, pois tinha mais gente de fora do que dos próprios grupos.